Disbiose intestinal: o que é e o que a ciência realmente sabe? | Lara Castro
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Disbiose intestinal: o que significa esse termo e o que realmente sabemos sobre ele?

Por Lara Castro, nutricionista · CRN 26100771 · 3 min de leitura

Ilustração de uma balança com microrganismos de um lado e do outro

O que é disbiose intestinal?

Disbiose é um termo utilizado para descrever alterações na composição ou no funcionamento da microbiota intestinal.

Essas alterações podem envolver mudanças na abundância relativa de determinados microrganismos, na diversidade microbiana ou nas funções metabólicas desempenhadas por essa comunidade.

O conceito é bastante utilizado em pesquisas sobre doenças gastrointestinais e metabólicas.

Entretanto, é importante compreender que disbiose não representa, por si só, um diagnóstico clínico universalmente estabelecido.

Como a disbiose pode acontecer?

A microbiota intestinal é dinâmica e sofre influência de diferentes fatores. Entre eles:

  • Uso de antibióticos e outros medicamentos.
  • Mudanças no padrão alimentar.
  • Infecções gastrointestinais.
  • Idade e condições fisiológicas.
  • Ambiente e estilo de vida.
  • Presença de determinadas doenças.

Esses fatores podem modificar a composição e a atividade dos microrganismos intestinais.

Entretanto, encontrar uma alteração na microbiota não significa automaticamente que ela seja a causa de algum sintoma ou doença.

Disbiose causa doenças?

Essa é uma das questões mais importantes na pesquisa sobre microbiota.

Estudos observacionais identificam associações entre alterações microbianas e diferentes condições clínicas, incluindo doenças inflamatórias intestinais, síndrome do intestino irritável e alterações metabólicas.

Mas existe uma dificuldade científica importante: determinar se a alteração da microbiota contribuiu para o desenvolvimento da doença ou se foi consequência dela.

Em muitos casos, provavelmente existe uma relação bidirecional.

A própria inflamação, mudanças alimentares e uso de medicamentos podem modificar o ambiente intestinal e, consequentemente, a microbiota.

Os exames de microbiota identificam disbiose?

Existem exames comerciais que analisam o DNA de microrganismos presentes nas fezes.

Esses testes podem fornecer informações sobre a composição microbiana de uma amostra, mas isso não significa que consigam diagnosticar doenças ou identificar um desequilíbrio que necessite de tratamento.

Um consenso internacional publicado em 2025 destacou limitações importantes da aplicação dos testes de microbioma na prática clínica, incluindo ausência de valores de referência universais e dificuldades para interpretar resultados individuais.

Portanto, resultados desses exames não devem ser interpretados isoladamente como diagnóstico.

Existe tratamento para disbiose?

Não existe um protocolo universal de tratamento para um conceito tão amplo.

A conduta depende da condição clínica identificada, dos sintomas, do histórico e das necessidades individuais.

A ideia de que qualquer alteração da microbiota deve ser corrigida com probióticos, suplementos ou dietas restritivas não encontra sustentação científica suficiente.

Conclusão

A disbiose é um conceito relevante para a pesquisa científica, mas seu uso clínico exige cautela.

Mais importante do que tentar classificar a microbiota como equilibrada ou desequilibrada é compreender o contexto fisiológico e clínico de cada pessoa.

Referências científicas

  1. Carías Domínguez AM. et al. Intestinal Dysbiosis: Exploring Definition, Associated Symptoms, and Perspectives for a Comprehensive Understanding — a Scoping Review. Probiotics and Antimicrobial Proteins, 2025.
  2. Porcari S. et al. International consensus statement on microbiome testing in clinical practice. 2025.
  3. Joos R. et al. Examining the healthy human microbiome concept. Nature Reviews Microbiology, 2025.

Conteúdo informativo e educativo. Não substitui a avaliação individual com um profissional de saúde.

Lara Castro

Lara Castro · Nutricionista

Nutricionista com foco em saúde digestiva. Atendimento presencial em Cabo Frio e online, com acompanhamento individualizado e baseado em evidências.

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