Probióticos: o que são e o que a ciência realmente comprova? | Lara Castro
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Probióticos: o que são, para que servem e o que as evidências científicas mostram?

Por Lara Castro, nutricionista · CRN 26100771 · 3 min de leitura

Ilustração de uma cápsula aberta com microrganismos e uma tigela de iogurte

O que são probióticos?

Segundo a definição da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro.

Essa definição apresenta três elementos fundamentais:

  • São microrganismos vivos.
  • Precisam ser administrados em quantidades adequadas.
  • Devem apresentar benefícios demonstrados à saúde.

Portanto, nem todo produto que contém bactérias vivas pode ser automaticamente considerado probiótico.

Como os probióticos atuam no organismo?

Os mecanismos de ação podem variar de acordo com o microrganismo utilizado. Entre os mecanismos estudados estão:

Interação com a microbiota intestinal

Determinadas cepas podem modificar temporariamente a atividade ou a composição da comunidade microbiana intestinal.

Interação com a barreira intestinal

Alguns microrganismos podem influenciar mecanismos relacionados à integridade epitelial e à regulação das junções celulares.

Modulação imunológica

Determinadas cepas interagem com células do sistema imunológico e podem influenciar a produção de mediadores envolvidos na resposta inflamatória.

Produção de metabólitos

Alguns microrganismos produzem substâncias que podem modificar o ambiente intestinal e participar de processos fisiológicos.

É importante ressaltar que esses mecanismos não são compartilhados por todos os probióticos.

Todo probiótico apresenta os mesmos benefícios?

Não. Esse é um dos pontos mais importantes quando falamos sobre o uso de probióticos.

Os efeitos podem ser específicos de cada cepa, e resultados obtidos com determinado microrganismo não podem ser automaticamente atribuídos a outro da mesma espécie.

Por exemplo, duas cepas de Lactobacillus podem apresentar características metabólicas e efeitos clínicos diferentes.

Além disso, os resultados de um estudo precisam ser interpretados considerando a população avaliada, a dose utilizada, a duração da intervenção e o desfecho investigado.

Probióticos funcionam para todos os problemas intestinais?

Não existe evidência suficiente para recomendar probióticos indiscriminadamente para qualquer condição gastrointestinal.

A American Gastroenterological Association (AGA), em suas diretrizes clínicas de 2020, identificou importantes lacunas de evidência para o uso de probióticos em condições como síndrome do intestino irritável, doença de Crohn e retocolite ulcerativa.

Isso não significa que nenhuma cepa possa apresentar benefício em situações específicas, mas que não é possível generalizar os resultados.

A Organização Mundial de Gastroenterologia também destaca a importância de avaliar as evidências específicas de cada cepa e indicação clínica.

Probióticos e microbiota intestinal são a mesma coisa?

Não.

A microbiota intestinal é o conjunto de microrganismos que habitam o intestino.

Os probióticos são microrganismos vivos específicos que podem ser administrados por meio de alimentos ou suplementos, desde que atendam aos critérios estabelecidos para essa classificação.

O uso de probióticos não significa necessariamente que a microbiota será permanentemente modificada ou que haverá um benefício clínico.

Como avaliar a necessidade de suplementação?

A decisão precisa considerar a condição clínica, as evidências disponíveis, o microrganismo específico, a dose, a duração e a segurança.

Não existe justificativa científica para utilizar suplementos probióticos de maneira automática sempre que alguém apresenta gases, distensão abdominal ou alterações do hábito intestinal.

O acompanhamento profissional permite avaliar se existe uma indicação real e se o produto escolhido possui evidências para aquele contexto.

Conclusão

Os probióticos representam uma área importante de pesquisa em saúde digestiva, mas seus efeitos não são universais.

A ciência exige que cada cepa seja avaliada de acordo com sua indicação, dose e evidência clínica. Mais do que procurar o probiótico com mais microrganismos, é necessário compreender se existe benefício demonstrado para a condição que se pretende acompanhar.

Referências científicas

  1. Su GL. et al. AGA Clinical Practice Guidelines on the Role of Probiotics in the Management of Gastrointestinal Disorders. Gastroenterology, 2020.
  2. World Gastroenterology Organisation. Probiotics and Prebiotics: Global Guidelines.

Conteúdo informativo e educativo. Não substitui a avaliação individual com um profissional de saúde.

Lara Castro

Lara Castro · Nutricionista

Nutricionista com foco em saúde digestiva. Atendimento presencial em Cabo Frio e online, com acompanhamento individualizado e baseado em evidências.

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